Danos na Saúde pela Exposição a Crómio e Seus Compostos

Artigo detalhado sobre os riscos para a saúde associados à exposição laboral ao crómio e seus compostos. Saiba como identificar, prevenir e proteger-se, com foco na legislação portuguesa.

· 5 min · Segurança no Trabalho

Danos na Saúde pela Exposição a Crómio e Seus Compostos

A exposição laboral ao crómio e seus compostos, seja na forma de pós, fumos ou névoas, por via inalatória, digestiva ou dérmica, representa um risco significativo para a saúde. Por esta razão, para além da correta identificação, avaliação, prevenção e proteção do risco, é imprescindível uma vigilância específica da saúde dos trabalhadores expostos.

Características Gerais do Crómio

O crómio é um metal branco-acinzentado, muito resistente ao desgaste. Apresenta três estados de valência: 2+, 3+ e 6+. Os derivados bivalentes são altamente instáveis, oxidando-se facilmente para derivados trivalentes. Contudo, as ligações hexavalentes são consideradas as mais perigosas.

Crómio VI (Hexavalente) – Compostos

É o mais tóxico.

Crómio III – Compostos

Principais Atividades com Risco de Exposição

De acordo com o enquadramento das doenças profissionais a legislação portuguesa, nomeadamente a Lista de Doenças Profissionais (aprovada pela Portaria n.º 23/2024, de 16 de janeiro), identifica diversas atividades com risco de exposição ao crómio, quer trivalente quer hexavalente, e aos seus compostos. A prevenção deve ser uma prioridade nestes contextos.

Algumas das atividades de risco incluem:

Efeitos na Saúde

A exposição laboral ao crómio e seus derivados tem sido associada a efeitos na saúde de gravidade diversas. É crucial adotar medidas de segurança robustas nos locais de trabalho para minimizar a exposição e, consequentemente, reduzir o número de doenças associadas.

Os efeitos adversos durante a exposição laboral são causados principalmente pelos compostos hexavalentes (VI). Isto deve-se à maior facilidade de absorção dos compostos de crómio hexavalentes solúveis em água pela via pulmonar e à sua ação oxidante no trato respiratório. Nestes casos, pode ocorrer bronquite crónica, asma, hipertrofia da mucosa e, eventualmente, cancro. Nos trabalhadores expostos, observa-se uma acumulação de crómio nos pulmões, fígado e rins. Os compostos hexavalentes são os que apresentam a maior toxicidade.

O crómio é irritante e corrosivo para a pele e mucosas, aumenta a incidência de cancro do pulmão e seios perinasais e é um importante sensibilizante respiratório e cutâneo.

Os cromatos de zinco, cálcio, estrôncio e potássio são classificados como substâncias carcinogénicas do Grupo I pela IARC (Agência Internacional de Investigação do Cancro), o que significa que são comprovadamente cancerígenos para humanos. Outros compostos de crómio são classificados no Grupo 2, podendo ser cancerígenos para humanos.

Toxicidade Aguda

A ingestão de compostos hexavalentes de crómio, geralmente acidental, provoca um quadro gastrointestinal com vómitos, dores abdominais, diarreia e hemorragias intestinais.

Em alguns casos, pode levar à morte por choque cardiocirculatório. Se o paciente sobreviver, pode desenvolver insuficiência renal devido à necrose tubular aguda. Pode também causar falência hepática, alteração da coagulação ou hemólise intravascular.

Toxicidade Crónica

A exposição a compostos hexavalentes pode provocar:

Trabalhadores Especialmente Sensíveis

A avaliação deve ser individualizada, considerando a existência de historial de anemia, insuficiência renal ligeira, perturbações respiratórias crónicas e dermopatias. Em situações clínicas onde possa haver dificuldade no diagnóstico diferencial entre a doença de base e os potenciais efeitos da exposição a estas substâncias, a exposição deve ser temporariamente evitada.

A Importância da Formação Profissional Obrigatória

O Código do Trabalho português, no seu Artigo 131.º, estabelece a obrigatoriedade da formação profissional contínua para os trabalhadores, num mínimo de 40 horas anuais. Esta formação é crucial para a prevenção de riscos laborais, incluindo a exposição a substâncias perigosas como o crómio. Através de formação adequada, os trabalhadores podem adquirir os conhecimentos e competências necessários para identificar os riscos, utilizar corretamente os equipamentos de proteção individual e coletiva, e seguir os protocolos de segurança, garantindo assim um ambiente de trabalho mais seguro e minimizando os danos para a saúde.", read_time=

Escrito por Carla Correia

Diretora Desenvolvimento de Negócios

Carla Correia é Diretora de Desenvolvimento de Negócios da Quirónprevención Portugal, onde impulsiona parcerias estratégicas e o crescimento da oferta de formação e prevenção. Foca-se em criar soluções que ajudam as empresas a cumprir as suas obrigações legais com simplicidade e valor acrescentado.