Medidas de Emergência em Acidentes com Veículos Elétricos
Descubra os riscos elétricos e químicos associados a acidentes com veículos elétricos e híbridos, e as medidas de segurança essenciais para uma intervenção de emergência eficaz. Saiba como atuar para prevenir eletrocussão e controlar incêndios.
· 7 minutos · Segurança no Trabalho
O modo de propulsão dos veículos elétricos e híbridos (VEH), que utiliza baterias elétricas e equipamentos de alta tensão, gera riscos e exige atuações de emergência distintas em caso de acidente, comparativamente aos veículos tradicionais. É fundamental conhecer e controlar estes riscos.
Novos Riscos dos Veículos Elétricos
Os veículos híbridos ou elétricos (doravante designados VEH) possuem equipamentos elétricos que operam entre 200 V e 800 V, tanto em corrente contínua como em corrente alternada. Estes circuitos são protegidos por caixas metálicas (com duplo isolamento) e os seus condutores são identificados pela cor laranja, protegidos por uma malha blindada.
É evidente que estes circuitos elétricos geram riscos elétricos, ou seja, risco de eletrocussão e queimaduras, muito semelhantes aos riscos elétricos em instalações industriais e domésticas.
Além do risco elétrico, em caso de acidente, os VEH geram riscos de natureza química devido ao tipo de baterias que utilizam, que são, frequentemente, diferentes das baterias convencionais.
Estas baterias podem ser de Níquel-Cádmio (Ni-Cd), Níquel-Hidreto Metálico (NiMH), iões de lítio, entre outras. As baterias envolvem reações químicas complexas e reversíveis para armazenar e converter energia elétrica para o veículo. Contudo, em caso de acidente automóvel, podem gerar três riscos importantes:
- Em caso de rotura do invólucro da bateria, parte do eletrólito altamente corrosivo (ácido sulfúrico, hidróxido de potássio, sal de lítio, sulfuretos metálicos, etc.) pode ser derramado. Em caso de incêndio, seriam libertados gases altamente tóxicos.
- A rotura do invólucro da bateria pode provocar, nas células, curtos-circuitos dos condutores internos, gerando descargas elétricas rápidas de energia (calor) que podem dar origem a um incêndio dentro da bateria.
- Devido aos eletrólitos utilizados, o incêndio que pode ser gerado pelo motivo anterior, pode retroalimentar-se pela libertação de oxigénio, hidrogénio e outros elementos combustíveis e comburentes, tornando o incêndio muito difícil de extinguir pelos meios tradicionais.
Apesar destes riscos, os fabricantes de veículos têm incorporado proteções para os controlar. Atualmente, o risco de incêndio em caso de acidente é muito semelhante ao risco de incêndio de um veículo tradicional que utiliza combustível inflamável. A diferença reside na forma de o extinguir e controlar.
Intervenção em Acidentes com Veículos Elétricos
Em caso de acidente e de intervenção em VEH, especialmente para os serviços de emergência, e de forma genérica (pois cada tipo de veículo/fabricante pode ter particularidades), pode-se atuar da seguinte forma:
Prevenção do Risco Elétrico
- Retire a chave de ignição (se for um cartão de acesso, afaste-o pelo menos 5 metros).
- Coloque a alavanca das mudanças na posição P (Parque) ou N (Neutro).
- Desligue a bateria de 12 V.
- Desligue o conector de serviço que separa a bateria de tração elétrica do restante veículo.
- Se o acima não for possível, pode aceder ao interior do veículo e cortar o cabo de serviço, que, em alguns modelos, está identificado para bombeiros/emergência, como no exemplo a seguir:
Este cabo desliga automaticamente o veículo e impede o seu funcionamento em modo elétrico.
- Nunca corte os cabos de cor laranja nem as suas malhas.
- Espere 5 minutos antes de aceder a cabos de alta voltagem para permitir que os condensadores da eletrónica do veículo se descarreguem.
Estas ações devem ser realizadas com as seguintes precauções:
- Isole as mãos com luvas isolantes de classe 0 (até 1000V AC/1500V DC).
- Isole os pontos próximos da zona de trabalho que estejam ou possam estar sob tensão.
- Utilize ferramentas isoladas e previamente verificadas (até 1000V).
- Utilize roupa de trabalho ignífuga e fechada.
- Utilize capacete e proteção facial.
- Utilize luvas ignífugas sob as luvas isolantes.
Prevenção de Riscos na Extinção de Incêndios em VEH
Para uma intervenção inicial, podem ser utilizados extintores portáteis tipo ABC ou CO2.
Para a extinção total do fogo, deve ser utilizada água abundante, mantendo as distâncias de segurança. Este procedimento ajudará a refrigerar as baterias durante uma descarga elétrica descontrolada.
Após um incêndio, o veículo pode apresentar risco elétrico devido à presença de partes expostas sob tensão e de produtos químicos, pelo que o acesso ao veículo deve ser interditado.
Mesmo que não tenha ocorrido um incêndio durante o acidente, se as baterias estiverem danificadas, podem ocorrer incêndios posteriores de forma fortuita. Por isso, o VEH deve ser vigiado durante 24 a 48 horas para permitir a atuação em caso de reignição.
O mesmo se aplica quando o incêndio aparentemente foi controlado: é necessário vigiar o veículo por um período para evitar reignições.
Estas ações devem ser realizadas com as seguintes precauções:
- Para evitar inalar os vapores, deve utilizar-se um aparelho respiratório autónomo.
- Atuar a uma distância de segurança, para evitar o contacto com produtos químicos e o risco elétrico. Utilizar água pulverizada.
- Devem utilizar-se luvas de proteção química.
- Roupa de proteção contra o calor.
- Capacete e proteção facial.