Prevenção de Riscos Profissionais para Socorristas
Este artigo aborda os riscos específicos da profissão de socorrista, desde fatores ambientais a riscos psicossociais, e apresenta medidas preventivas e protetoras cruciais, em linha com o Código do Trabalho português.
· 6 minutos · Segurança no Trabalho
Os socorristas desempenham um papel crucial durante a época balnear nas praias e piscinas, assegurando a proteção e a segurança dos utentes. Embora a atividade possa parecer descontraída, está longe de ser isenta de riscos para a segurança e saúde dos profissionais, dadas as características das instalações, as condições ambientais a que estão expostos, e ainda os riscos musculoesqueléticos e psicossociais, decorrentes da responsabilidade inerente à função e de situações de stress.
Principais riscos profissionais para socorristas
Entre os principais riscos a que os socorristas estão expostos, destacam-se:
- Quedas ao mesmo nível: comuns em zonas húmidas.
- Quedas a níveis diferentes.
- Sobreesforços: ao manusear vítimas de acidentes e adotar posturas forçadas.
- Exposição a condições ambientais extremas: calor, frio, humidade e radiação solar.
- Agentes biológicos: protozoários, fungos, bactérias e vírus.
- Agentes químicos: desinfetantes, algicidas, cloro, etc., particularmente em piscinas.
Riscos psicossociais e a importância da prevenção
No que concerne aos riscos psicossociais, os socorristas devem manter um estado de atenção e vigilância constantes, que exige alerta em permanência, frequentemente associado a longas jornadas de trabalho sob condições ambientais que podem ser extremas. Adicionalmente, são comuns os conflitos com utentes que não acatam as normas de segurança estabelecidas.
Pelo exposto, é fundamental que, além de proteger os outros, o socorrista se proteja a si próprio. De seguida, indicamos um conjunto de medidas básicas de prevenção e proteção a ter em consideração e a aplicar.
Medidas preventivas e protetoras essenciais
- Calçado adequado: Utilize calçado de trabalho com sola antiderrapante que permita que o pé se mantenha seco e tenha uma boa fixação do calcanhar, para prevenir escorregadelas e quedas.
- Segurança nas cadeiras de vigilância: Assegure-se do bom estado e estabilidade das cadeiras elevadas antes de as usar. Ao subir e descer, segure-se com ambas as mãos e evite saltar.
- Proteção solar: Disponha de zonas de sombra e use chapéus de sol ou toldos nas torres de vigilância. Limite a exposição solar, especialmente nas horas de maior intensidade. Aplique protetor solar periodicamente e utilize óculos de sol com proteção lateral, t-shirts e chapéus.
- Hidratação e prevenção do golpe de calor: Beba bastante água fresca com frequência e evite permanecer imóvel por longos períodos; movimente-se, mas evite esforço físico intenso nas horas de maior calor. Refresque-se com água e, ao menor sinal de tonturas, comunique a um colega.
- Primeiros socorros e higiene: Ao prestar cuidados, utilize luvas de proteção, descarte o material perfurocortante em depósitos apropriados e certifique-se de lavar as mãos após os tratamentos e antes de comer. Consuma apenas água com garantias de potabilidade.
- Manuseamento de produtos químicos: Consulte as fichas de dados de segurança dos produtos químicos e siga as instruções para o seu manuseamento e para o uso de equipamento de proteção individual.
- Técnicas de transporte e aptidão física: Aplique a técnica de transporte mais adequada ao mover acidentados, utilize os meios disponíveis e mantenha uma boa preparação física.
- Postura e pausas: Alterne posturas, evitando a posição estática de pé por muito tempo. Faça alongamentos antes e depois das sessões de trabalho e durante o horário laboral, além de pausas regulares.
- Gestão de conflitos: Em caso de desacordo ou confronto com utentes, mantenha a calma e o equilíbrio emocional, converse de forma educada e afável, e não ceda a provocações.
- Combate à fadiga mental: Distribua adequadamente os períodos de descanso ao longo do dia de trabalho e adote técnicas de relaxamento.
O cumprimento destas medidas é essencial para a segurança e saúde dos socorristas, garantindo o devido enquadramento legal da formação profissional contínua, conforme previsto no Artigo 131.º do Código do Trabalho português.